"É nosso objectivo primordial contribuir para o conhecimento e protecção das tartarugas marinhas ao logo da costa da província do Namibe. Nessa empreitada, contamos com vários organismos, com destaque para as Administrações de Moçâmedes, Forte Santa Rita, Bentiaba, Lucira e Capitania do Porto do Namibe”, disse Denise Ramos Neves.
A ambientalista explicou que nas quatro bases trabalham, de forma efectiva, durante a temporada de nidificação (criação de ninhos), um a dois tartarugueiros, membros da comunidade local.
Equilíbrio nos ecossistemas
A preservação da tartaruga marinha no Namibe, acrescentou, desempenha um papel de relevância na manutenção do equilíbrio nos ecossistemas marinho e terrestre.
Denise Ramos Neves esclareceu que o Projecto Kitabanga permitiu a capacitação de quadros no domínio da Biologia da conservação, desenvolvimento de actividades de educação ambiental das comunidades, bem como a sensibilização a favor da protecção das tartarugas marinhas.
No quadro do projecto, foi igualmente possível a inclusão de membros das distintas localidades em trabalhos de preservação, assim como a tomada de medidas de conservação e desenho da estratégia nacional para a biodiversidade.
"Temos trabalhado na sensibilização da população, aconselhando que, caso avistem uma tartaruga a desovar, não se devem aproximar para não interromper essa etapa do ciclo de vida. Não matar, comercializar ou consumir carne de tartaruga marinha e os seus ovos e, em caso de captura acidental, devolvê-la imediatamente ao mar”, frisou.
Considerou a colaboração de todos fundamental para o processo de conservação da biodiversidade marinha e apelou a população a redobrar os cuidados com a iluminação nas referidas praias, descartar resíduos sólidos e líquidos nos locais e evitar circular com veículos nas praias em época de desova (Abril a Setembro).
Ameaças às tartarugas
A ambientalista apontou como ameaças para a segurança das tartarugas as actividades pesqueiras, as capturas acidentais, descarte ou perda de artefactos de pesca, caça ilegal, recolha de ovos, degradação de zonas húmidas, ocupação ou obstrução de áreas de nidificação, presença de animais domésticos, poluição, entre outros.
O projecto Kitabanga é uma iniciativa da docente Ana Lúcia, do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade Agostinho Neto, iniciado na década de 80 e retomado em 2003. Actualmente monitora cerca de 105 quilómetros da costa marítima angolana, do Norte ao Sul do país, excepto na província de Cabinda.
A iniciativa conta com o apoio de instituições como a petrolífera BP, Angola LNG, Holístico, Carp Dien, Flamingos Lodge, Oceanus, Pescuio, Universidade do Namibe, Fundação Kissama, Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente e outros parceiros individuais.
Cientificamente, são conhecidas cinco espécies de tartarugas marinhas ao longo da costa angolana, mas predominam três, que fazem a desova nas praias do país, nomeadamente a tartaruga de couro (ou tartaruga gigante, conhecida como Kitabanga), a tartaruga verde e a tartaruga oliva.
Available daily from 08:00 to 22:00. This support line helps clarify doubts, assist with reservations and guide you towards the best accommodation and tourism services.