CFM - Caminho de Ferro de Moçamedes - Moçâmedes

HISTORIAL DO CAMINHO DE FERRO DE MOÇÂMEDES-E.P

A história do Caminho de Ferro de Moçâmedes é indissociável da história da cidade do Lubango. Pois em 1923, o caminho de ferro chegava ao Lubango, onde se fundaria depois a então Vila de Sá da Bandeira. As obras da linha tinham começado quase vinte anos antes, em 1905, no porto de Moçâmedes. Pelo meio aconteceu a primeira guerra mundial, o que obrigou a uma paragem nas obras. Nessa altura a linha já tinha chegado a Vila Arriaga (actual Bibala), em 1912. Mas apenas dez anos depois é que a linha chegaria à cidade de Sá da Bandeira.

O Caminho de Ferro de Moçâmedes-E.P, situa-se no Sul de Angola, criada a mercê da autorização do Governo Português recaída à carta de Lei de 15 de Setembro de 1890, para a construção da sua linha férrea,  a 28 de Setembro de 1905, assume-se como entidade empresarial pública vocacionada a mobilidade de passageiros, mercadorias e correios, num percurso de 860 Kms de linha geral com origem em Moçâmedes e vai até Menongue, com 2 ramais Chela / Chanja e Entroncamento /Tchamutete devido a exploração do minério de ferro de Cassinga.

Conta com mais de 100 anos desde que foi lançada a primeira pedra no então Distrito de Moçâmedes e o seu principal objectivo era atingir o Planalto da Huila em direcção a Região dos Gambos, rica em gado bovino e caprino, numa altura em que o meio de transporte utilizado na Região, era o chamado “Boer”, carro de tracção animal.

Com bitola de 0,60 metros, e material de 15 Kgs/m (carril) na era do conhecido comboio à lenha, foram ensaiando com o tempo, variantes técnicas, desde a utilização de locomotivas a vapor.

O CFM nasce com a expectativa de valorizar o ``celeiro´´ do interior e o papel do porto de Moçâmedes. Pretendia então sinalizar uma mudança de paradigma da política colonial portuguesa, mais apostada na ocupação efectiva do território, pela inoculação de colonos portugueses, atraídos para o interior da província, para a dinamização da agricultura e do comércio, empreendida por nacionais, em vez de se limitar à exploração comercial dos produtos autóctones.

A preferência pelo porto seguro de Moçâmedes era uma obrigação moral do Estado português para com os colonos que fundaram estações civilizadoras no planalto da Chela, onde a salubridade do clima permitia a fixação e reprodução da raça branca, à semelhança do que acontecia nas colónias inglesas.

Em 1939, houve a necessidade de modernizar a linha, devido o transporte de minério, alargando-se a bitola de 0,60 para 1,067 metros, bitola predominantemente na região da África Austral, com material de 45 Kgs/m (carril).

Desde então a linha férrea foi-se estendendo em cerca de 747 Kms, partindo do então Distrito de Moçâmedes, passando pela Serra da Chela, numa altitude máxima de 1.914 metros até a zona da Quilemba, com o raio máximo de curva de 2000 metros e o mínimo de 115 na Serra, compreendendo cerca de 205 curvas com rampas de 28% de inclinação.

A seguir do Lubango, a linha continuou para Leste, tendo chegado à Quipungo em Julho de 1955, Novembro de 1955 na Matala, Maio de 1958 no Kuvango, Maio de 1960 no Cuchi até Serpa Pinto actual Menongue e Dezembro de 1961 seguiram-se os Ramais da Chela/Chanja e Entroncamento/Jamba/Tchamutete.

Foi também construído um ramal para Sul, o ramal da Chibia, que chegou em 1955, ao fim de cerca de 120 Kms de linha férrea.

A construção da linha concluiu-se portanto nas vésperas do início do conflito colonial em Angola. Depois da independência em 1975 e com os conflitos internos posteriores, a maior parte da infraestrutura da linha foi afectada, tendo sido objecto de uma grande reabilitação e modernização entre 2006 e 2015 (por uma empresa chinesa, na linha do financiamento da China) e voltando a operar.

Em 1980, a Empresa é constituída pelo Estado Angolano como Unidade Económica Estatal, ao abrigo da lei nº 72/1980 de 26 de Março, publicada em Diário de República, 1ª série.

É hoje, resultado da transformação de U.E.E (Unidade Económica Estatal) para E.P (Empresa Pública) através do Decreto Presidencial nº 149/10 de 21 de Julho, conjugado com a Lei nº 11/13 – Lei de Bases do Sector Empresarial Público, cujo objecto social é o transporte ferroviário de Passageiro, Mercadoria e Correio, a sua área de exploração abrange as Províncias do Namibe, Huíla e Cuando Cubango.

É possível organizar a sua história nos seguintes períodos:

  • 1905 a 1923: Construção da linha entre Moçâmedes e Lubango (Sá da Bandeira);
  • 1923 a 1961: Construção da linha para Leste (até a Vila de Serpa Pinto, actual cidade de Menongue) e o ramal da Chibia;
  • 1961 a 1975: O período do conflito colonial;
  • 1975 a 2002: O período do conflito interno, separação do CFM e ao Porto do Namibe e transformação de U.E.E (Unidade Económica Estatal) para E.P (Empresa Pública);
  • 2006 a 2012: A Reabilitação e Modernização das Infraestruturas Ferroviárias;
  • 2015-… Novo período Operacional.

PROJECTO DE REABILITAÇÃO E MODERNIZAÇÃO

Na expectativa de se dar vida às infraestruturas do C.F.M., que desde o final da década de 60, tinha vindo apenas a sofrer intervenções paliativas, em Janeiro de 2006, foi feito na cidade do Lubango, localidade da Mukanka, o acto de lançamento para o início dos trabalhos de reabilitação e modernização do C.F.M., projecto terminado em 2012 e entregue definitivamente ao Estado Angolano pelo empreiteiro China Hyway à 31 de outubro de 2018, na cidade do Lubango.

De entre outros, o projecto englobou:

  • A colocação de novos tramos feitos em carris material 50, assentes sob travessas de betão armado em monobloco pretensionado de 210 kgs cada, em toda a extensão da linha;
  • A construção de novas pontes e pequenas passagens hidráulicas (Aquedutos) destruídos e degradados ao longo de todo o traçado;
  • A construção de 56 Estações de diversas classificações (Especiais, 1ª, 2ª e 3ª classes);
  • A implantação de um novo sistema de sinalização e telecomunicações, com a colocação de cabos de fibra óptica e quad ao longo de todo o trajecto.

INFRAESTRUTURAS

Actualmente o CFM tem suas principais infraestruturas reabilitadas e modernizadas em toda a sua dimensão desde a Província do Namibe ao Cuando Cubango, incluindo os ramais de Jamba e Tchamutete, ao abrigo do programa gizado pelo Executivo da revitalização do sector ferroviário do país, cuja recepção definitiva ocorreu em 2017, o que permite hoje prestar um serviço com mais qualidade.

Foram construídas 57 Estações novas ao longo desta linha sendo: 3 Especiais, 7 de 1ª Classe, 11 Estações de 2ª Classe e 36 Estações de 3ª Classe.

IMPACTO DO ACTO A NÍVEL DA REGIÃO

Desta feita, com a retomada do projecto minério de Cassinga e outros, tudo indica que há uma grande necessidade da reposição gradual no horizonte dos próximos 5 anos, de todo o parque dos meios de tracção e rebocados, meios oficinais para a manutenção dos mesmos, afim de satisfazer a procura a que essa empresa estará pressionada pois que, todas intervenções paliativas com as aquisições feitas até aqui, constituem uma gota no oceano face aos desafios que se apontam para aquilo que foi o último auge do transporte de mercadorias e passageiros do C.F.M. até 1972/73, isto é, 6.000.000 de toneladas/ano, como exemplo.

Estará a ganhar a região e será beneficiado o seu povo, e, desta forma se fará participar no desenvolvimento da região em particular e do país no geral.

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